A administração da Portucel decidiu que para o ano de 2011 não vão ser pagos bónus por cumprimento de contrato de fornecimento de eucalipto.

Esta decisão, ainda que provisória, parece estar a gerar um clima de desconfiança nos fornecedores desta fábrica, pois nunca foram informados desta intenção. Muitos queixam-se até de ter feito esforços adicionais para que os seus contratos fossem cumpridos, com o intuito de obter este prémio que tem sido dado todos os anos.

Este acontecimento vem contrariar a evolução da Portucel, pois no ano de 2011 terá sido quando a quarta fábrica do parque de Mitrena (Setúbal) entrou em funcionamento o que iria fazer aumentar o consumo da madeira de eucalipto o que pode até ser verdade, mas acabou por não se reflectir no preço desta matéria-prima em Portugal. A flutuação no preço da madeira de eucalipto apenas terá sido influenciada por factores de mercado externos e mesmo assim foi o grupo Altri a dar o primeiro passo na subida do preço da compra, só algumas semanas depois a Portucel seguiu esta acção e colocou o preço de compra exactamente nos mesmos valores do grupo Altri. Quando a Altri baixou no princípio de Setembro de 2011, a Portucel também o fez mas só depois.

Relativamente aos prémios acima referidos, enquanto a Portucel se debate com o facto de compensar ou não os seus fornecedores, o grupo Altri procedeu já ao pagamento deste prémio com os seus, o que leva uma vez mais a crer que a Altri está mais empenhada na motivação dos seus fornecedores e leva mais a sério as suas necessidades em tempos difíceis em que os custos de compra, corte, rechega e transporte estão altíssimos.

Contudo 2011 foi um ano que para a Portucel se revelou uma vez mais proveitosos pois na sua demonstração de resultados pode-se constatar que os seus lucros aumentaram uma vez mais e a sua independência financeira por outro lado diminuiu, o que leva a crer que este ano seria muito mais fácil premiar os fornecedores que acabam também por contribuir para o seu sucesso.

Parece mais um paradigma Nacional.

Segundo opinião de alguns comerciantes de madeira existe falta de mão-de-obra portuguesa para a indústria de exploração florestal, seja para corte de madeira ou extracção.

Parece que há 20 anos atrás a juventude (da chamada geração rasca) não se importava tanto de sujar as mãos como a de hoje em dia e o trabalho era feito, o que levanta algumas questões sobre como foram educados os jovens de hoje em dia.

O tema que agora exponho dá matéria para uma grande discussão de políticos, investigadores, sociólogos, etc. Indivíduos que queiram complicar por palavras ainda mais os motivos que estão por trás deste verdadeiro dilema, que podem ser desmotivação, falta de conhecimento, falta de vontade de trabalhar, este ser um trabalho pesado, etc.

Seja como for não é normal (dada a actual taxa de desemprego) que na indústria madeireira se verifique falta de mão de obra portuguesa assim como noutros ramos.

Fábricas de celulose preparam-se para baixar o preço de compra da madeira de eucalipto no princípio de Setembro em mais de 3%.